foto Simone Mattos - reunião final na EM Paula Buarque
O Projeto ESCOLA DA PAZ, trabalhando o conceito de CIDADANIA ESCOLAR, visa a resgatar a autoridade dos pais, o respeito à escola e o senso de protagonismo dos alunos, que passa por obediência e compromisso. Saiba como funciona no Caderno de Apresentação e Orientações, em link na coluna à direita. - - : denilsoncdearaujo@gmail.com
O PROJETO ESCOLA DA PAZ, POR MIM CRIADO, E NO QUAL ATUAVA EM REPRESENTAÇÃO DA VARA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DE PETRÓPOLIS, FOI ENCERRADO.SE VOCÊ O ESTÁ CONHECENDO NESTA VISITA, FIQUE À VONTADE E VISITE O BLOG. HÁ MUITA COISA QUE PODE SER ÚTIL A VOCÊ, À SUA FAMÍLIA E À SUA ESCOLA. FOI UMA AVENTURA MUITO LINDA. COMPROVE.ESTAMOS REPENSANDO UM OUTRO MODELO A SER IMPLANTANDO, COM PARCERIA DA OSCIP "REVIVAS".POR ORA, SE DESEJAR ACOMPANHAR AS MINHAS ATIVIDADES E PALESTRAS, VÁ AO MEU BLOG PESSOAL: http://denilsoncdearaujo.blogspot.com/Obrigado! DenIlson Cardoso de Araújo.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Reunião dia 05/08!

Segunda, dia 05/08 - 09:30 hs - no Fórum da Barão
Reunião Geral de Retomada do Projeto ESCOLA DA PAZ - 2º semestre/2013

sexta-feira, 19 de julho de 2013

JARDIM DE AUTODIDATAS

Denilson Cardoso de Araújo

Padeci grave fobia de sala de aula. Explico. Meu pai, Dinizar de Araújo, grande educador, implantou o CENIP, na gestão do governador Geremias Fontes. Eu terminara o primário, daí fui ao ginasial, no gigantesco colégio. Do mundinho acolhedor do Instituto Paulo Barbosa, me vi, repentinamente, no CENIP de zilhares de alunos. Descobriram logo o “filho do diretor”. Ah, coitado.

Colegas apresentaram ao acanhado menino que eu era o que hoje é bullying. Professores usavam nociva rispidez, alguns me expunham ao ridículo. Transferência rasteira, para atingir diretor com quem tinham lá desavenças. Um professor de português punha-me a ler em sala, pelo prazer de grosseiramente interromper-me ridicularizando a titubeante leitura de “analfabeto”, dizia. Tempos de ditadura militar. Aterrorizado, assisti professor de inglês expulsar colega a pontapés, porque conversava. Ainda alvejou o apavorado aluno com a maleta de livros. Doutra feita, professor de latim, militar reformado, na repreensão à turma, sacou um revólver! Esbravejando, apontou-o no colega à minha frente. Encolhi-me à mira daquele cano que parecia medir o meio da minha testa.

O acúmulo de traumas me pôs gazeteiro, militante e juramentado. Afora período de heroico time de futebol, o Trilume, que se empenhava em campos de pelada pela cidade, matei aula em bibliotecas. Leitor voraz precoce, alfabetizado em casa, namorava livros fechados nos vidros da cobiçada estante paterna. Daí, múltiplas fichas de sócio, em bibliotecas várias. Retirava 04 livros de uma vez, na Toca da Coruja, orgulhoso de ser leitor assim confiável.

Fobia de sala de aula em rato de bibliotecas fez-me autodidata. É temerário assim dizer-se, pois, muitos entendem ser desculpa de ignorante vaidoso. Não ligo. Autodidata sou. O que, se deu solução à indigência acadêmica, pôs dificuldade quando, já adulto, superei os traumas da carteira escolar. Problemas de método. O autodidata aprende de modo peculiar. Dado um ponto de interesse, a curiosidade leva a busca do saber a direções diferentes, embora concêntricas, como pedra jogada no rio. É natural, a interdisciplinaridade. Já o ensino tradicional demanda sujeição ao discurso pronto, linearidade, cronograma, saberes estanques, em fila indiana e ritmo marcial. Não dá pra acampar num conhecimento, explorar suas trilhas paralelas. Isso sempre me angustiou. 

Após fazer provão para o segundo grau, tentei faculdade. Pouco. Dois anos de curso de Direito e desilusão. Vi autoritarismo docente. Ensino contábil, ao dizer de Paulo Freire, a dispensar qualquer questionamento aprofundado ou debate marginal. Quando veio o 11 de setembro, após um dia de debates com gente que se afligiu com a espetacular tragédia, projetei as grandes discussões que se travariam na Faculdade, até para aproveitar as perplexidades surgidas em corações e mentes. Nada! O tema, que daria aprendizado sério e profundo em tantos ramos do Direito, foi solenemente ignorado. Ao mesmo tempo, vi exigências de trabalhos monográficos em começo de curso, em ritmo alucinante, inviável a estudantes noturnos. Bibliografias em alemão (!), surgiram. Alunos lamentavam, mães estudantes choravam nas carteiras. Fiz monografia sobre a necessidade de otimizar de métodos dialéticos no currículo básico em detrimento de trabalhos extras irreais. O Coordenador do Curso revoltou-se. Achou científico, mas petulante. Vi que, àquela altura, a prioridade era o faz de conta de dissertações geradas na magia do “control+c/control+v”. Enchia relatórios, fazia vista. Era o que importava. Não a mim. Por isso, evadi.

Não me trago aqui como exemplo. Revelações pessoais aqui vêm como alerta. Primeiro de que, frente à arruinada escola de hoje, não se pode ser saudosista da escola autoritária de ontem. O fato de que lá alunos eram mais cordatos, que se levantavam à chegada do professor, não ocultam a verdade de que lá era possível humilhar estudantes a pontapés e ameaçá-los com armas. Segundo, é imprescindível à escola abandonar o método linha de produção, herdado do modelo germânico militarizado, que já esgotou seu papel. A escola não faz sentido para o aluno, em grande parte por não se conectar com os “11 de setembros” que dia a dia a cercam sem que ingressem em sala de aula como chamarizes do aprendizado. Terceiro, é necessário que a escola, a par de reprimir com firmeza o bullying, saiba tratar o diferente. Inclusive percebendo o aluno para quem a escola se fez trauma. De todos os professores que tiveram que aturar minhas evasões, encantou-me Maurício Cardoso de Mello e Silva. Percebendo minhas particularidades e desconfortos, demonstrou sagacidade. Dispensou-me das aulas, desde que em troca entregasse profusas redações, que fiz com alegria. Elasticidade genial, e capacidade de diagnose de um aluno em sua individualidade. Encantou-me. Evitei perder suas aulas empolgantes! 

A escola não deve ser saudosista. Deve ser dialógica. Acima de tudo, precisa encantar. Motivar alguém, com métodos corretos, a aprender por si mesmo, é o que de melhor a escola pode fazer pelo aluno. Ser um jardim de autodidatas - ou seja, de pessoas que aprenderam a aprender, e por isso, terão maior autonomia intelectual - é a meta. 

*.*
denilsoncdearaujo.blogspot.com

quarta-feira, 3 de julho de 2013

FÉRIAS!!!

 
Sei que pra muita gente ainda não chegou a hora desse sorriso.
Mas deixo desde já meu abraço. Estou em férias, mas atento.
Aproveitem!

sábado, 29 de junho de 2013

BONS EXEMPLOS

Boas notícias devem ser compartilhadas.
 
Postando as bonitas imagens da E.M. Sta Terezinha, lembrei que era importante registrar outras coisas bacanas.
 
Não vou dar os nomes, porque essas iniciativas me chegaram por mensagens. Mas acho que seria bom que quem viveu essas experiências ou tem outras pra contar se identificasse, dizendo como foi.
 
Um menino muito bacana, que é Agente da Cidadania, me escreveu pra contar como, na sua escola, ele ficou feliz e emocionado com a reunião que conseguiu realizar pra começar a organização da Associação de Alunos. E ele disse, com a maior pureza d'alma e no melhor dos sentidos: "Eu me senti como um deputado, um senador, sei lá!...". Ele se sentiu importante! E é isso mesmo! E olha que ele, que não é bobo, sabe separar o "deputado" que ele se sentiu (um cata que está fazendo acontecer, realizando o bem), dos deputados corruptos e que nos envergonham. Este nos orgulha! Parabéns, rapaz! Siga em frente!
 
Outra menina, também Agente da Cidadania, me contou da sua iniciativa de organizar os alunos para uma campanha no bairro. Os moradores não respeitam muito as latas de lixo, e há muito lixo onde não devia. Por conta disso, ela vai organizar uma mobilização com os colegas, para conscientização dos moradores,  e para reivindicar uma coleta melhor da Prefeitura. É isso, garota valente!!!! Cidadania na Escola da Paz, primeiro; e depois, a Escola da Paz sendo um farol de luz boa pra ajudar a comunidade!!! Parabéns, princesa! Não desista!
 
E sei de outra menina, também Agente da Cidadania, que resolveu se tornar conciliadora em brigas de alunos, e criou um método de acompanhamento das coisas da escola, de forma que até depredações eles registram. Da atitude dessa menina e de seus companheiros, conseguiram que uma mãe de aluno que danificou coisas na escola fosse até lá pra se desculpar e prometer o conserto do que foi estragado! Muito bom! Continue assim!
 
Sei que deve haver outros bons exemplos. Me contem. Se possível, me autorizem a divulgar quem e onde fez.
 
Este momento é decisivo. Uma parte dessa juventude está querendo acordar, e as manifestações dizem isso. Mas só ir pra rua gritar coisas legais não resolve. É preciso agir e mudar a nossa própria realidade, onde a gente estuda, na família em que vivemos, no bairro onde moramos. Vocês podem! Façam, então!
 
Espero que TODOS os Agentes da Cidadania tenham coisas pra contar. 
 
Debata, organize, realize, analise, compartilhe!!!!

OLHA QUE BONITO ISSO - A EM Sta Terezinha (em Vila Rica) botando o Escola da Paz na rua!

Bacana! A EM Santa Terezinha botando o Projeto pra funcionar! Muito antes dessa onda de manifestações, eles queriam já "botar o bloco na rua pra falar de paz! Ficou bonito isso! Parabéns!!!
 

Fala das Agentes da Cidadania nas salas
 

Voluntários para a Associação de Alunos
 

Galera organizando uma manifestação
 

Bolas brancas: Paz!
 

Vão caminhar? Aquecimento antes!
 

E aí o povo pelas ruas do bairro!!!!!

sábado, 22 de junho de 2013

UM DEPOIMENTO ADOLESCENTE!


O TEXTO QUE SEGUE foi escrito por Fernanda Mattos.Esta menina está no 2º grau. É minha sobrinha. Com muito orgulho, compartilho suas lúcidas e sinceras reflexões. Ela tem a coragem e a humildade de assumir o que a arrogância de muitos jovens (e adultos!) tem impedido: que as manifestações têm mais desinformação do que deveriam. E que devem ganhar o campo da luta institucional, para o que é necessário conhecer os caminhos!!!! Mas o bacana é que ela se propõe ao que é necessário. Fernanda acordou! Não quer ser manipulada. E você?


E O PENSAMENTO QUE ME RENDEU A MANIFESTAÇÃO DE HOJE...

por Fernanda Mattos

Hoje foi a primeira vez que tive a oportunidade de acompanhar inteiramente uma manifestação. Infelizmente de longe tudo é muito mais bonito. Quando você vê aqueles milhares de pontos nas fotos você imagina em cada um deles um brasileiro, indo à rua lutar por seus direitos, com a consciência renovada, ou mesmo em construção. Porém o que encont...rei hoje foram pessoas guiadas às ruas sem muitas vezes conhecer de verdade o motivo. Tiveram momentos em que me senti em meio a uma manifestação de maritacas, onde qualquer besteira dita era repetida pela boca dos demais como um hino e rapidamente estava ressoando em toda a massa.
 
Queria deixar claro, que eu mesma, não me excluo do grupo de maritacas, em diversos momentos eu senti como se devesse saber muito mais do que eu sabia, me senti perdida, incapaz de formar uma opinião sobre o que era dito por falta de informação. Em determinado momento, durante o protesto, um rapaz falou comigo sobre a PEC 33, e como ele ainda a considerava pior do que a 37 (motivo pelo qual foi organizado o manifesto na minha cidade hoje), e quer saber? Eu fiquei perdida, eu já tinha ouvido falar sobre essa emenda, mas não lembrava. Eu me senti envergonhada em estar tão alienada quanto a um assunto tão importante para o meu país.
 
Não sei quando foi que nós viramos as costas pro nosso país e deixamos essa bagunça se instalar, o que sei é que agora o gigante acordou, e é hora de mudar. Mas para isso não adianta sairmos às ruas com as caras pintadas, gritando hinos atrás de cartazes se não sabemos ao menos seus significados. Para que possamos exercer nossa cidadania e reivindicar nossos direitos precisamos antes saber o que isso significa e COMO lutar pelo que queremos.
 
Que a educação do brasil está uma merda, assim como a saúde e o transporte público, não é novidade pra ninguém. Mas saber disso não basta, precisamos entender porque isso acontece em um país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e consequentemente um dos maiores montantes para investimento nessas áreas.
 
Então, eu pergunto, por quê? Mas essa resposta é fácil para todos, a culpa é da corrupção. Então lá vai mais um pergunta: Se a revolta é contra a situação do país, e sabemos que essa situação é gerada pela corrupção, por que esse problema ainda não está resolvido?
 
E é aqui que vai minha teoria, conhecemos o problema, conhecemos a sua causa, mas não sabemos como lutar efetivamente contra ele. Como podemos lutar contra a organização de um estado se não a conhecemos a fundo? Além de sairmos para os protestos, devemos sair conscientes, devemos saber como funciona na prática a gestão do nosso país. Onde estão os erros? Em quais órgãos? Na câmara? No Senado? Em todo lugar? Como fazemos para arrumá-los? Quais são as ferramentas de que dispomos?
 
Mentes mal informadas, são facilmente manipuladas. E é isso que vai acontecer enquanto nós mesmos não soubermos as respostas para cada uma dessas perguntas, seremos manipulados, jogados de um lado para o outro por partidos que tentam beneficiar a si mesmos. E não os culpemos por isso, afinal, é disso que se trata política, a busca pela defesa de interesses, cada um lutando pelo que favorece a sua causa.
 
Agora é hora do povo brasileiro lutar pela sua causa, então vamos fazer isso dentro e fora das ruas, vamos nos informar mais, estudar mais, saber mais! Só assim poderemos lutar melhor, reivindicar melhor e melhorar o Brasil!
 
Orgulho de ser Brasileira, orgulho da galera de Três Rios, o primeiro passo foi dado!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

SUGESTÃO DE ORIENTAÇÃO SOBRE AS MANIFESTAÇÕES

++++++++++I M P O R T A N T E +++++++++++++
- - - SUGESTÃO DE ORIENTAÇÃO A PAIS, PROFESSORES, PASTORES - - - -------------(a pedidos, a apresento)-----------


AS MANIFESTAÇÕES NO BRASIL, HISTÓRICAS, ESTÃO, ENTRETANTO, SE ABRINDO EM LEQUE PERIGOSO. O que era reivindicação específica (redução das passagens), abriu-se a um civismo amplo, mas está começando a ser tomado por todo tipo de oportunismo. E nessas horas, é difícil separar o joio do trigo.

POR ISSO, RECOMENDO CUIDADO, CAUTELA E RESPONSABILIDADE A TODOS OS ADOLESCENTES E PAIS DE ADOLESCENTES QUE PRETENDEM PARTICIPAR DA MANIFESTAÇÃO DE AMANHÃ. Temos visto que o que é pacífico e belo, muito rapidamente pode ser irresponsável ou violento. Uma das razões disso acontecer é o fato de haver muita insatisfação justa e correta, e graves problemas na direção do movimento. Os problemas na direção do movimento se mostram assim: ou completa falta de direção, ou excesso de direção, iu seja,m muita gente dirigindo, o que significa ninguém.

A BANDEIRA DE LUTA PELA REDUÇÃO DAS PASSAGENS DOS ÔNIBUS JÁ VOI VITORIOSA EM GRANDE PARTE DAS CIDADES. O MOVIMENTO COMEÇOU POR ISSO. O CORRETO ERA QUE TERMINASSE COM ESSA VITÓRIA. As outras reivindicações deveriam ser pautadas em encontros de lideranças para que se retomasse o movimento de forma consistente e consequente, por causas nítidas e corretas.

TENHO VISTO MUITAS LIDERANÇAS (PAIS, PADRES, PASTORES, PROFESSORES) NO EQUÍVOCO DA INGENUIDADE, ESTIMULANDO A PARTICIPAÇÃO ADOLESCENTE - - - SEM REFLEXÃO!!!! Isso pode fazer de muitos jovens massa de manobra. Muitos podem se machucar, na frustração ou na manipulação de que podem ser vítimas.

Por isso, - ---------------- - - SUGIRO, como ORIENTAÇÃO - --------------- - - .

1 - NÃO INIBA seu filho de participar. É saudável que ele tenha esse "batismo" num dos atos básicos de cidadania, que é a manifestação popular. A história esta acontecendo e é bom que ele participe.

2 - MAS ESCLAREÇA a ele que esse é apenas UM dos atos da cidadania, não o único. Não se faz o país o tempo todo com a multidão nas ruas. Há que fazer os partidos, os sindicatos, as organizações, os grêmios, as associações que dêem cara e responsabilidade ao movimento.

3 - É BOM TAMBEM QUE VOCÊ SAIBA, sendo, por exemplo, evangélico ou católico, que existirá ao lado do seu filho alguém que poderá gritar a favor do aborto, pela derrubada do governo, pela liberação do casamento gay, pela liberação das drogas e mais múltiplas coisas. Assuntos sobre os quais você deve orientar e conversar com o seu filho.

4 - SUGIRO AINDA QUE SEU FILHO VÁ ORGANIZADAMENTE à manifestação, em grupo. Se puder, vá com ele. Ou estimule a que ele combine uma ida conjunta, que vá ordenadamente, com cartazes e bandeiras adequadas. Ir junto com um grupo (em que, de preferência, haja algum adulto) permite que seu filho troque ideias, se proteja e ajude a proteger.

5 - SUGIRO AINDA QUE HAJA UM TETO LIMITE DE HORÁRIO para permanecer na manifestação. Temos visto que o vandalismo tem crescido muito ao fim das manifestações. Isso tem a ver com a falta do clímax do evento (um comício, com discursos, essas coisas), que dá a impressão após a caminhada de que ainda há algo a fazer. Daí as pessoas ficam andando meio sem rumo, e isso dá margem a muitos abusos que acabam ocorrendo.

6 - SUGIRO AINDA QUE, NO RETORNO, haja uma conversa familiar e entre os amigos da escola, do clube ou da igreja, conforme o caso, sobre a experiência e sobre os temas da manifestação. É hora de o Brasil inteiro discutir as mudanças necessárias e os caminhos para isso, inclusive alertando-se para caminhos perigosos.

Permitam-me, por fim, sugerir ainda, caso lhe interesse, a leitura da sequência de textos que venho postando no meu blog sobre o tema das manifestações. (especialmente o mais recente: "Sonhos em Jogo")

Deus abençoe a todos!

SONHOS EM JOGO

 
Denilson Cardoso de Araújo

  A falta de comando das manifestações – civicamente belas em sua maioria - nos faz adentrar terreno muito perigoso. Estar na rua como objetivo em si. Manifestação, não como meio tático que sempre foi, mas como alvo a realizar. Vimos que, recolhidos os pacíficos, e sem policiamento adequado ao que estava por vir, os vândalos de carteira, os punks de profissão, os canhestros revolucionários giratórios, os anarquistas violentos, e mesmo os simples bandidos aproveitadores, fizeram valer sua fúria. Acuaram funcionários públicos, depredaram patrimônio público, destruíram e saquearam lojas.
 
  O PT nos fez retroceder às vésperas do século XX. Não tínhamos organizações da classe trabalhadora. As revoltas eram assim, pólvora espalhada que se acendia a um estalar de dedos, sem controle, por massas informes. Ao trair seus seus primeiros ideais, o PT sequestrou toda a estirpe de lutadores cujo pedigree herdara, e que o construíra, toda a história, todas as lideranças que em torno dele se agregaram, todas as organizações. Levou tudo, e amarrou ao pé da cadeira da Presidência. Por isso não se viu passeatas e revoltas contra o Mensalão. Os canais possíveis estavam obstruídos. E o Bolsa Família garantia silêncios na clientela de base.
 
  Os jovens de classe média tiveram o mérito de romper esse cerco e botar a boca no trombone. Mas eles não são uma organização. O Movimento Passe Livre não demonstrou capacidade de comando para o tamanho do que começou, e nem podia ser diferente. Certamente haverá meia centena de outros agrupamentos não tão visíveis, que estiveram aí pelas ruas. Mas não chegam a, juntos, constituir organização, com experiência e estrutura capaz de dirigir o que está por vir.
 
  Cabe-lhes dar um passo adiante e constituírem grande frente que, inclusive, proponha, sim, opções eleitorais. Não têm força para romper com esse mecanismo inevitável e necessário. Cabe-lhes perceber que a partir de agora o que desune essas massas da rua é mais amplo do que o que as uniu. Gritos de “Fora Dilma” parecem estranhos, ao lado de gritos pela liberação das drogas. Parecem esquisitos gritos que pedem redução de impostos, ao lado dos que pedem melhor Saúde. Parecem estranhos gritos contra “comunistas”, próximos aos gritos de “o Brasil acordou” manifestados por aglomerações de gente das elites que caminharam pelas ruas e vai sair dali pra marcar as férias em Miami. Gente que nunca usou transporte público e que não estará disposta a abrir mão do utilitário importado. Gente que foi apedrejar a Prefeitura  paulista usando camisas de marca importada, corpos de academia e máscaras contra gás que ao povo não é dado adquirir.
 
  Eu, que honrei e elogiei o manifesto de segunda-feira no Rio de Janeiro, me sinto autorizado a dizer - nessa extensão perigosa do movimento - que fascistas já puseram gente na rua também. O nazismo pôs muita gente na rua. Franco botou muita gente na rua. Gente na rua não é, por si só, signo de qualidade de nada. Gente na rua não é credencial de pureza ideológica e sequer de nobres propósitos. Massas humanas sem controle são imbecis. São linchadores. São depredadores. Linchadores e depredadores não fazem revolução. Fazem retrocesso, sempre fizeram.
 
  Preocupo-me com os jovens humildes que sentiram se abrir possibilidade de futuro mais digno. Preocupa-me que sejam usados, engolidos e esmagados. Porque, como ocorreu nos anos 1970, muita gente de classe média pode, após atear fogo ao circo, ir esfriar a cabeça em Paris, enquanto o menino da escola pública vai ter que amargar por aqui mesmo o pão que outros diabos lhe amassaram.
 
  Corre-se o risco de cometer, e é nesse território que adentramos, “ditadura” do pessoal das ruas, oprimindo os que precisam correr diariamente atrás do pão diário. Não podemos esquecer que estes governos estão feridos, mas mortos não estão. Não creio que ocorra, mas ainda teriam força para chamar os bolsões dos assistidos pelos seus programas sociais para irem também às ruas. E aí, ruptura completa. Enfrentamento e desastre. Espero que não se pretenda isso.
 
  É hora, inclusive, de dar descanso à militância mais aguerrida e consequente. Sim, porque movimentos como este, que dão tensão, adrenalina, e passam pela alegria, pela euforia, resultam em esgotamento emocional e físico. Há que recuar, para que energias se reponham, o físico se restabeleça, o coração se acalme e o cérebro tenha alguma chance de processar tudo isso. Vi muita coisa dar errado em movimentos longos, porque o cérebro não mais funcionava. E a racionalidade não pode ser vencida pela passionalidade inconsequente, por mais bem intencionada que seja.
 
  Temo, e digo com todas as letras, o risco de um cadáver. Um “Edson Luís” (o menino que foi morto pela polícia no Restaurante Calabouço nos anos 1960) nunca é bem vindo. Um cadáver jamais é bem vindo. Mas hoje, um cadáver, de menino ou de policial, seria a notícia pior que este começo de século poderia nos reservar. Macularia de luto  indelével as canções da primaveril Rio Branco de segunda-feira.
 
 Você, que participou, que organizou, que caminhou, rogo que pense nisso. Hora de recuo é hora de recuo. Bons exércitos sabem a hora de voltar ao acampamento para reorganizar o retorno mais certeiro ao front. Quem persegue adversário até o aniquilamento, muitas vezes penetra tão fundo no território inimigo, que acaba cercado, perde o caminho da volta, e é destruído.
 
  Há sonhos demais em jogo. E sonho é coisa preciosa. Não deixem que sejam destruídos por falta de humildade, liderança, solidariedade, senso de estratégia e comando. É hora de recuar e celebrar a vitória obtida. E preparar sobre essa brasa boa que se acendeu as fogueiras da aurora que pode chegar amanhã. Para isso é preciso juntar os gravetos. Há gente que já fez isso antes. Que sejam ouvidas. Os jovens não precisam reinventar a roda.
*.*

Tão logo postei este texto, fiz o comentário seguinte numa troca de ideias no facebook. Vai aqui, porque reforça o raciocínio acima: - - - Existem coletivos que chamaram as manifestações. O único jeito é eles se reunirem e constituírem um comando para o recuo e estabelecimento de pauta para futuro avanço ordenado. Esse negócio de militante mascarado, ainda que de "V", é bonitinho e tal, mas é ridículo politicamente e pouco eficaz. Tem que mostrar a cara, ter nomes, ter responsabilidade. Botar bloco na rua é fácil, difícil é retirá-lo em ordem. E precisa ter humildade de ouvir quem já passou por isso. E aceitar, inclusive à mesa os partidos, sim. Mesmo que sejam segmentos de alguns partidos. Este exclusivismo utópico pode dar em nada. Ou pode dar em inocentes úteis.
 *.*
(esta crônica é um extrato que adequa o texto anterior
- "Entramos hoje em terreno perigoso - Sobre as manifestações"
- para publicação em jornal)

terça-feira, 18 de junho de 2013

CARTA AOS ALUNOS DAS ESCOLAS DA PAZ


Petrópolis, 18/06/2013
 
 
Caros Agentes da Cidadania Escolar e alunos das Escolas da Paz
 
 
Se tudo estiver correndo bem nos corações de vocês, imagino que a maioria deve estar muito otimista e feliz com as manifestações que ocorreram ontem (17/06), no Rio de Janeiro e no Brasil.

Realmente, ontem - tirando os vandalismos (e covardias) que aconteceram ao fim do dia, em algumas cidades - houve uma manifestação bonita. Foi histórico!

Vocês sabem como cobrei e cobro postura e atitude da geração de vocês. Geração de idiotas. Mas ontem apareceu uma luzinha no fim do túnel. Uma esperança de que surja uma geração de verdadeiros vencedores. Vocês puderam ter uma vaga noção do que foram os movimentos (pela abolição da escravatura, contra a ditadura, a campanha do “petróleo é nosso”, o “fora Collor”), que sempre mencionei e descrevi para vocês nas minhas palestras.

Devo dizer que a manifestação de ontem, entretanto, só deu certo porque os jovens que a comandaram - de forma muito equivocada na semana passada - começaram a ter a humildade de aceitar e ouvir opiniões dos mais velhos. Os mais experientes em manifestações ajudaram os menos experientes. E, por isso, com os jovens nos comandos, orientados pelos mais velhos, vimos algo mais democrático, que foi a presença de adultos, idosos, crianças, famílias, participando das manifestações.

É assim que deve ser. Orientem-se sempre com a experiência dos mais velhos! O que reforça nossa conversa sobre o respeito aos mais velhos, professores e pais!

Outra coisa sobre a qual peço a vocês que pensem com atenção. Sei que muitos devem estar ansiosos por realizar coisas, participar, de alguma forma.

Isso é bom. Mas também, se você não toma cuidado, pode ser perigoso. A vontade de fazer algo de bacana, somada à inexperiência, pode levar muita gente a entrar em furadas. Nessas horas surgem oportunistas que querem tirar proveito político, partidário, afora os que querem empurrar o pessoal para atos de violência e vandalismo. E os que vão querer que nas escolas aconteçam protestos e ações contra diretores, professores ou coisa parecida.

Muita calma nessa hora. Participem daquilo que for correto. Procurem se informar para que não façam besteira. Peçam conselhos aos mais experientes. Há professores com experiência de mobilização que podem orientá-los.

E, mais importante do que tudo, não se iludam, achando que, porque jovens foram para as ruas e fizeram essa bonita manifestação, essa geração já foi resgatada. Não foi. Permanece ainda, por aí, o bullying, o funk pornográfico, o abuso, a violência, a busca de drogas, de vandalismos, de bagunça e sexo precoce. Tudo isso tem que ser combatido.

A tarefa principal de vocês como geração é resgatar as próprias vidas e a paz na escola. A revolução melhor que se pode fazer é aquela que ocorre dentro da gente, depois se estende pro nosso lar, pra nossa escola. Aí é que estamos, então, prontos pra transformar o mundo.

Com essas palavras que espero sejam recebidas com o mesmo carinho com que as escrevi, deixo aqui meu abraço a vocês, que serão “Geração de Vitoriosos”!!!!
Denilson Cardoso de Araújo
Projeto ESCOLA DA PAZ